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O que é um teste de intrusão (pentest)? Como funciona e que tipos existem

Guia completo: definição de teste de intrusão, etapas, tipos por nível de informação (black, grey e white box) e por alvo, o que um bom relatório deve ter e com que frequência testar.

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O que é um teste de intrusão (pentest)? Como funciona e que tipos existem

Definição: um teste de intrusão (pentest) é uma simulação autorizada de ataque, conduzida por especialistas, para encontrar e explorar vulnerabilidades em sistemas, aplicações, APIs ou modelos de IA — e demonstrar o impacto real no negócio antes que um atacante o faça. A diferença para um varrimento de vulnerabilidades é a exploração e o encadeamento: o pentest prova o que é possível fazer, não apenas o que parece estar errado.

Este guia responde às perguntas básicas — o que é, como funciona, que tipos existem — e às que importam na hora de decidir: que tipo escolher, o que esperar do relatório e quando é obrigatório.

Para que serve um teste de intrusão

  • Reduzir risco real. Encontrar o caminho que leva um utilizador comum até aos dados de outros clientes, a privilégios de administração ou a movimentos financeiros indevidos.
  • Cumprir requisitos. O PCI DSS exige pentest anual e após alterações significativas; a ISO 27001, o SOC 2, a NIS2 e o DORA tratam os testes de segurança como evidência de controlo. Veja testes de intrusão na NIS2 e no DORA e ISO 27001, SOC 2 e RGPD.
  • Vender. Clientes empresariais pedem um relatório recente nos questionários de segurança. Sem ele, o contrato pára no processo de compras.

Como funciona, passo a passo

  1. Âmbito e regras de atuação. O que pode ser testado, em que ambiente, em que janela, com que contas e o que está proibido (por exemplo, negação de serviço). Tudo por escrito e autorizado.
  2. Reconhecimento. Mapeamento da superfície: subdomínios, endpoints, tecnologias, documentação exposta, funcionalidades por perfil.
  3. Análise e descoberta. Ferramentas e análise manual em paralelo — o que a ferramenta sinaliza, o especialista confirma; o que ela não vê (autorização, lógica de negócio), o especialista procura.
  4. Exploração e encadeamento. Transformar a vulnerabilidade em impacto demonstrável, com o mínimo de intrusão.
  5. Relatório. Sumário executivo, achados com severidade, evidência reproduzível, impacto no negócio e recomendação de correção.
  6. Reteste. Validação de que as correções funcionam.

Tipos de teste por nível de informação

Black box

O especialista começa sem qualquer informação além do alvo — como um atacante externo. Indicado para avaliar o que está exposto na internet e testar a deteção. Limitação: grande parte do orçamento vai para descobrir o que a sua equipa saberia dizer em minutos.

Grey box

O especialista recebe credenciais por perfil, documentação (OpenAPI, arquitetura) e contexto de negócio. Simula um utilizador legítimo mal-intencionado ou um atacante que já roubou uma conta — o cenário mais comum em incidentes reais. É a melhor relação custo-benefício para aplicações web, APIs e sistemas de IA.

White box

Acesso ao código-fonte, configurações e arquitetura completa. Permite a análise mais profunda. Indicado para componentes críticos (autenticação, pagamentos), due diligence técnica e produtos maduros.

Black box Grey box White box
Informação prévia nenhuma contas + documentação código + arquitetura
Realismo de atacante externo alto médio baixo
Cobertura por dia de teste baixa alta muito alta
Indicado para perímetro, deteção web, API, IA (padrão) componentes críticos

Tipos de teste por alvo

  • Aplicação web: autenticação, sessão, autorização, injeções, lógica de negócio, SSRF. Referências: OWASP Top 10 e OWASP WSTG.
  • API: REST, GraphQL e gRPC, com o OWASP API Security Top 10 — o campeão dos achados críticos é o BOLA/IDOR. Guia completo em testes de intrusão a APIs.
  • IA e LLM: chatbots, RAG e agentes, segundo o OWASP Top 10 para LLM.
  • Mobile: a app e, sobretudo, a API que consome.
  • Infraestrutura e cloud: rede externa e interna, Active Directory, AWS/Azure/GCP.
  • Red team / TLPT: simulação de adversário orientada a objetivos, que testa também deteção e resposta.

Pentest, varrimento e bug bounty

O varrimento automático encontra o conhecido e o superficial; o bug bounty paga achados a uma multidão sem garantir cobertura; o pentest garante metodologia, profundidade e um relatório com âmbito definido. Detalhamos em pentest vs. scanner vs. bug bounty.

O que deve ter um bom relatório

  • Sumário executivo em linguagem de negócio.
  • Achados com severidade justificada (CVSS ajustado ao contexto).
  • Passos de reprodução e evidências que a equipa de desenvolvimento consiga seguir.
  • Cadeias de ataque, não apenas itens isolados.
  • Recomendações específicas para a sua stack.
  • Âmbito, período, metodologia e limitações — o que o auditor vai procurar.

Com que frequência

Pelo menos uma vez por ano e após alterações relevantes. Produtos com deploy contínuo beneficiam de ciclos mais pequenos e recorrentes. Sobre orçamento, veja quanto custa um teste de intrusão.

Perguntas frequentes

Um teste de intrusão é legal?

Sim, quando autorizado por escrito pelo responsável pelos sistemas e com âmbito definido. Sem autorização, a mesma atividade é crime (em Portugal, Lei do Cibercrime — Lei n.º 109/2009).

O pentest pode deitar o sistema abaixo?

Um teste bem conduzido não. Testes de negação de serviço ficam fora do âmbito por omissão, as cargas são controladas e as ações destrutivas são combinadas antes.

Quanto tempo demora?

Uma aplicação web ou API de dimensão média leva tipicamente 5 a 15 dias de teste, mais 2 a 5 dias de relatório.

Qual a diferença entre teste de intrusão e análise de vulnerabilidades?

A análise de vulnerabilidades lista falhas potenciais, em geral de forma automática. O teste de intrusão confirma, explora e encadeia essas falhas para mostrar o impacto real — e encontra classes que as ferramentas não detetam, como falhas de autorização e de lógica de negócio.