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Testes de intrusão para ISO 27001, SOC 2 e RGPD: o que cada um exige

A ISO 27001, o SOC 2 e o RGPD exigem testes de intrusão? O que cada um pede, o que o auditor procura e como um único teste bem delimitado serve de evidência para todos.

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Testes de intrusão para ISO 27001, SOC 2 e RGPD: o que cada um exige

Resumo: nem a ISO 27001, nem o SOC 2, nem o RGPD dizem "teste de intrusão obrigatório" — mas os três exigem que teste e comprove a eficácia dos seus controlos de segurança, e o pentest é a evidência que auditores, clientes e a CNPD mais reconhecem. O RGPD é até explícito: o artigo 32.º, n.º 1, alínea d) pede "um processo para testar, apreciar e avaliar regularmente a eficácia das medidas técnicas e organizativas". O único padrão com exigência direta e periódica de pentest é o PCI DSS (requisito 11.4).

ISO/IEC 27001:2022

O que a norma pede: gestão de riscos e controlos do Anexo A proporcionais. Três controlos tocam diretamente em testes de segurança:

  • A.8.8 — Gestão de vulnerabilidades técnicas.
  • A.8.29 — Testes de segurança no desenvolvimento e na aceitação de sistemas novos e alterados.
  • A.5.35 — Revisão independente da segurança da informação.

O que o auditor procura: evidência de que as vulnerabilidades são identificadas de forma sistemática para além de scanners, de que os achados se tornam tratamento de risco com responsável e prazo, e de que as alterações significativas são testadas. Um relatório recente, com plano de correção e reteste, cobre os três pontos.

SOC 2

O SOC 2 avalia controlos face aos Trust Services Criteria do AICPA. O critério CC4.1 refere os testes de intrusão entre as formas de avaliação separada; o CC7.1 trata da deteção de vulnerabilidades. Não há obrigação textual, mas o pentest anual é o padrão de mercado, e os auditores de SOC 2 Type II perguntam por ele. Dica: alinhe a data do teste com o início do período de observação para que as correções aconteçam dentro da janela.

RGPD

O que o regulamento pede: o artigo 32.º obriga a medidas técnicas e organizativas adequadas ao risco e inclui, expressamente, um processo para testar e avaliar regularmente a sua eficácia. O artigo 25.º (proteção de dados desde a conceção) e os artigos 33.º e 34.º (notificação de violações à autoridade e aos titulares) completam o quadro.

Porque o pentest importa: após uma violação, a pergunta da CNPD será "que medidas tinham e como verificavam que funcionavam?". As coimas por violação do artigo 32.º chegam a 10 milhões de euros ou 2% do volume de negócios anual mundial, e a 20 milhões ou 4% nas infrações mais graves do regulamento.

Âmbito recomendado: todos os sistemas que tratam dados pessoais em volume ou categorias especiais de dados, com atenção à autorização — a falha que mais expõe dados pessoais é um utilizador aceder a registos de outro, o BOLA/IDOR.

PCI DSS 4.0

Exige pentest interno e externo pelo menos anual e após alterações significativas, teste de segmentação e metodologia documentada. Veja o que o auditor espera do relatório no PCI DSS 4.0. Para o setor financeiro e entidades essenciais, junte-se a isto o DORA e a NIS2.

Um teste, várias evidências

Requisito Onde o pentest entra O que guardar
ISO 27001 A.8.8 / A.8.29 identificação de vulnerabilidades e teste de alterações relatório, plano de tratamento, reteste
SOC 2 CC4.1 / CC7.1 avaliação independente dos controlos relatório no período Type II, tickets de correção
RGPD art.º 32.º teste regular da eficácia das medidas relatório, correções, registo de decisões
PCI DSS 11.4 exigência direta relatório com metodologia, segmentação, reteste

Peça ao fornecedor: âmbito e metodologia descritos no relatório, severidade justificada, reteste com relatório atualizado e uma declaração (attestation letter) que possa enviar a clientes sem expor detalhes técnicos.

Erros que fazem o pentest não valer como evidência

  • Relatório só de scanner.
  • Âmbito que não coincide com o da certificação.
  • Achados críticos sem correção nem aceitação formal de risco.
  • Relatório com mais de 12 meses à data da auditoria.
  • Sem reteste.

Perguntas frequentes

A ISO 27001 obriga a fazer testes de intrusão?

Não com essas palavras, mas exige gestão de vulnerabilidades técnicas e testes de segurança a sistemas novos e alterados. O pentest é a forma mais aceite de o evidenciar.

O RGPD exige testes de intrusão?

O artigo 32.º exige um processo para testar e avaliar regularmente a eficácia das medidas de segurança. O teste de intrusão é a forma mais direta de cumprir e demonstrar esse requisito para aplicações que tratam dados pessoais.

Um único teste serve para ISO 27001, SOC 2 e RGPD?

Sim, se o âmbito cobrir os sistemas relevantes e o relatório tiver metodologia, rastreabilidade e reteste. Veja também quanto custa um teste de intrusão.